A pré-candidatura de Diely Silva (Avante) à Assembleia Legislativa do Pará ganha corpo no debate local, sustentada pela força política do grupo liderado pelo prefeito Tom Silva (MDB). Mesmo sem nunca ter disputado uma eleição, Diely surge em meios aos apoiadores como aposta real para garantir uma representante de Alenquer no parlamento estadual.
Apesar da visibilidade nas redes sociais, os números e o cenário político indicam que o caminho até uma vaga está longe de ser simples e provável.
Partido tenta viabilizar vaga com reforços
O Avante, legenda da pré-candidata, busca superar o desempenho de 2022, quando não elegeu deputados estaduais e somou cerca de 48 mil votos no Pará. Para 2026, a estratégia mudou: o partido incorporou nomes de peso e com mandato, como Wesley Tomaz, Josué Paiva e Renato Oliveira.
Com esses reforços e a ampliação das cadeiras da ALEPA que passará de 41 para 45 deputados em 2026, cresce a expectativa de atingir o quociente eleitoral, estimado em cerca de 110 mil votos, o que pode garantir no mínimo uma vaga ao partido.
Dependência direta da votação
Sem histórico próprio nas urnas, Diely Silva depende diretamente ligada ao desempenho do grupo político do atual prefeito. Em 2024, Tom Silva foi eleito com 15.548 votos, número que hoje é a principal métrica para as projeções da pré-candidata.
No entanto, os dados também revelam um limite político importante: cerca de 58% do eleitorado de Alenquer não votou na candidatura do atual prefeito. O cenário evidencia que, apesar de uma base consolidada, há divisão significativa no município.
Apoio político ainda é incerto
A pré-candidatura tem sido divulgada com possível apoio de vereadores e lideranças locais, além da atuação de Diely em espaços como o MDB Mulher e na administração municipal.
Mas, na prática, esse apoio está longe de ser garantido.
A Câmara Municipal é composta por representantes de diferentes partidos, muitos deles com compromissos eleitorais próprios. O PSD, por exemplo, articula apoio à reeleição de Junior Ferrari para deputado federal e de Ângelo Ferrari para deputado estadual.
Além disso, nomes como Laércio Calderaro, Eldo Xiquitinho e Miro Ferreira sempre tiveram seus próprios candidatos a ALEPA, o que reforça a incerteza sobre uma adesão unificada.
Diante desse cenário, uma dúvida central se impõe nos bastidores: vereadores e lideranças locais estariam dispostos a arriscar apoio a uma candidatura ainda sem garantia de viabilidade eleitoral?
O receio é claro, apoiar um projeto incerto pode significar perder espaço junto a grupos políticos já consolidados e candidatos com maior capilaridade eleitoral.
Fragmentação histórica dificulta consolidação
Outro fator que pesa contra a candidatura é o histórico de fragmentação eleitoral em Alenquer. Mesmo candidatos sem presença ativa no município costumam registrar votações expressivas.
No último pleito, pelo menos oito candidatos ultrapassaram mil votos na cidade incluindo nomes que superaram 2 mil e até 4 mil votos, demonstrando a pulverização do eleitorado.
Existe uma base fora de Alenquer?
Se dentro do município o cenário já é desafiador, fora dele a situação se torna ainda mais complexa.
O Pará possui 144 municípios, e eleições para deputado estadual exigem capilaridade política, alianças regionais e presença eleitoral em diversas regiões. Não é errado dizer que cada apoio fora da sua base conta, mas até o momento, a pré-candidatura de Diely Silva não demonstra uma base estruturada fora de Alenquer, o que limita sua capacidade de atingir o volume de votos necessário.
Cenário aberto
Para esta candidatura, os números realmente importam, supondo que com apoio massivo e alianças locais essa pré-candidatura surpreendentemente alcance entre 10 e 15 mil votos, o que seria um feito histórico para um grupo político em Alenquer, onde a pré-candidata conseguiria outros 20 ou 30 mil votos para disputar as possíveis vagas dentro do Avante?
Vale a pena centralizar tantos votos e perder o apoio de deputados que realmente estão “disputando” a eleição. Alenquer ganha ou perde com isso? Esta candidatura pode até ser real e é o sonho politico de qualquer município ter um representante que possa olhar com mais carinho para a sua própria casa. Mas com dependência direta de transferência de votos, incertezas sobre alianças e um eleitorado historicamente dividido, a pré-candidatura de Diely Silva entra na disputa em um cenário improvável.
Mais do que visibilidade nas redes sociais, o desafio será transformar capital político de Tom Silva em votos numa escala estadual ou no mínimo regional, condição indispensável para alcançar uma vaga na ALEPA.
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