A ação proporcionou à comunidade aprendizado prático, resgate cultural e a percepção de que saberes ancestrais também podem se transformar em oportunidade de geração de renda e empreendedorismo sustentável.
Muito antes de qualquer técnica moderna, a argila já contava histórias, histórias de povos, de cultura e de identidade.
Na Amazônia, duas grandes tradições atravessam o tempo e encantam pela sua riqueza: a Cerâmica Marajoara e a Cerâmica Tapajônica. A primeira, originária da Ilha do Marajó, impressiona pela sofisticação, pelos traços geométricos e pela riqueza de detalhes que revelam não apenas técnica, mas um profundo significado cultural. Já a segunda, da região do Tapajós, carrega uma ancestralidade ainda mais antiga, com registros de mais de seis mil anos, evidenciando que, desde muito cedo, esses povos já dominavam a arte de transformar a argila em expressão de vida, espiritualidade e cotidiano.
Foi a partir dessa herança rica e inspiradora que nasceu a oficina do projeto “Mãos que Moldam a Arte Ximanga”, desenvolvida por discentes de Administração da Universidade Federal do Oeste do Pará: Gabriela Cristina Ferreira de Carvalho, Hássima Thayná Simões Rodrigues, Jociclei Silva de Sousa, Klismam Picanço de Araújo, Rodrigo José Oliveira Viana e Zandra Natália da Cruz Palma, sob orientação do Prof. Dr. Raoni Fernandes Azeredo.
Em um único encontro, a história deixou de ser apenas conteúdo e ganhou forma nas mãos da comunidade.
Mais do que aprender a moldar a argila, os participantes vivenciaram o valor de uma tradição milenar e descobriram novas possibilidades. A oficina despertou olhares, resgatou identidades e mostrou que aquilo que vem dos antepassados também pode se transformar em fonte de renda e autonomia.
Mesmo sendo uma ação pontual, seu impacto foi profundo: plantou ideias, fortaleceu a cultura local e revelou que o empreendedorismo sustentável pode começar de forma simples, com a argila nas mãos e a vontade de transformar.
Com o apoio da Rádio Comunitária de Alenquer 87,9 FM, do mestre ceramista Jefferson Paiva representante da arte tapajônica e de lideranças locais, como o vereador Júnior Taveira, a oficina, realizada na Associação dos Moradores da Luanda, deixou uma mensagem que ecoa para além daquele momento: quando tradição e oportunidade se encontram, o futuro começa, de fato, a ser moldado nas mãos da própria comunidade.
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