A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) conquistou um marco histórico com o primeiro registro de marca da instituição concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A certificação foi obtida pela Afroteca, tecnologia educacional antirracista desenvolvida pela universidade e que já está presente no município de Alenquer, na comunidade quilombola do Pacoval.

O processo de registro da marca foi iniciado em maio de 2024 e o certificado definitivo foi expedido em março deste ano, garantindo à Ufopa a propriedade e o uso exclusivo da marca pelos próximos 10 anos.

A Afroteca foi desenvolvida no âmbito do Projeto Kiriku, pelo Grupo de Pesquisa em Literatura, História e Cultura Africana, Afro-Brasileira, Afro-Amazônica e Quilombola (Afroliq), vinculado ao Instituto de Ciências da Educação (Iced) da Ufopa.

Segundo o professor Dr. Luiz Fernando de França, idealizador da tecnologia educacional e coordenador do projeto de implantação das afrotecas no Oeste do Pará, o reconhecimento fortalece o trabalho desenvolvido pela equipe ao longo dos últimos anos.

“É um passo importante no processo de garantia da propriedade intelectual e de valorização do trabalho de educação antirracista realizado pelo Projeto Kiriku e pelo Afroliq”, destacou.

A reitora da Ufopa, professora Aldenize Xavier, também ressaltou a importância da conquista para a instituição e para a promoção da transformação social por meio da educação.

Atualmente, 10 afrotecas já foram implantadas na região Oeste do Pará, em municípios como Santarém, Belterra, Monte Alegre, Oriximiná e Alenquer.

Afroteca Ambirá em Alenquer

Em Alenquer, a Afroteca Ambirá está sendo implementada na Escola Municipal Martinho Nunes, localizada na comunidade quilombola do Pacoval. A iniciativa é a primeira afroteca implantada no município.

O nome “Ambirá” foi inspirado na manifestação cultural Marambiré, tradicional do Pacoval. O “mbira” é um instrumento musical de origem africana, símbolo da ancestralidade, da sabedoria e da identidade negra preservada pela comunidade quilombola.

A Afroteca Ambirá possui perfil voltado à Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação Escolar Quilombola, funcionando como espaço de acolhimento, incentivo à leitura e valorização da cultura afro-brasileira.

O ambiente reúne livros, brinquedos, jogos, instrumentos musicais e materiais educativos com foco na educação antirracista e no fortalecimento da identidade cultural das crianças e jovens da comunidade.

A implantação da Afroteca Ambirá conta com acompanhamento da professora Odenilza, diretora da escola, e do bolsista José Ediniz.

A conquista do registro da marca da Afroteca pela Ufopa reforça a importância de iniciativas educacionais que valorizam a cultura afro-amazônica e fortalecem o combate ao racismo por meio da educação.

Mais informações sobre o projeto podem ser acessadas em Afroteca