A música amazônica acaba de ganhar um dos maiores reconhecimentos de sua história. A obra do violonista paraense Sebastião Tapajós foi oficialmente reconhecida como Patrimônio da Cultura Nacional, conforme a Lei nº 15.319/2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 29 de dezembro de 2025. O projeto é de autoria do deputado federal Airton Faleiro (PT-PA) e foi publicado no Diário Oficial da União.
O reconhecimento transforma em lei aquilo que o povo da Amazônia já sabia há décadas: Sebastião Tapajós foi um dos maiores responsáveis por levar a musicalidade amazônica para o Brasil e para o mundo, eternizando ritmos regionais e valorizando a identidade cultural do Pará.
Um filho da Amazônia que conquistou o mundo
Nasceu em Alenquer em 1943, no oeste do Pará. Ainda criança, demonstrou talento para o violão, instrumento que o acompanharia por toda a vida e que o levaria aos maiores palcos internacionais.
Ao longo de sua trajetória, lançou mais de 50 discos, muitos deles gravados e premiados no exterior, principalmente na Europa. Em suas apresentações, Tapajós apresentou ao mundo gêneros tipicamente amazônicos e nordestinos como o carimbó, lundu, baião e toadas, criando uma ponte entre a música erudita e a popular brasileira.
Sua técnica refinada, aliada à sensibilidade amazônica, o transformou em referência para gerações de músicos no Brasil e fora dele.
Reconhecimento que fortalece a cultura amazônica
Relator do projeto no Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que a iniciativa vai além de uma homenagem: representa o reconhecimento da arte como instrumento de desenvolvimento humano, educação e fortalecimento da identidade cultural do país.
Além dos palcos, Sebastião Tapajós também teve atuação marcante em projetos sociais e educacionais, ajudando a formar jovens músicos na região amazônica e contribuindo para que a música fosse uma ferramenta de inclusão e transformação social.
Legado vivo
Sebastião Tapajós faleceu em 2 de outubro de 2021, aos 79 anos, vítima de infarto, deixando quatro filhos e um legado que segue vivo por meio de suas gravações, homenagens e da inspiração que ainda desperta em novos talentos.
Em Santarém, o Centro de Convenções Sebastião Tapajós preserva parte dessa história, com exposições e acervo que mantêm viva a memória de um dos maiores ícones da cultura amazônica.
Um marco para Alenquer e região
Para Alenquer e todo o oeste do Pará, o reconhecimento tem um valor simbólico ainda maior: Sebastião Tapajós é um filho legítimo dessa terra e seu nome agora passa a integrar oficialmente o patrimônio cultural do Brasil.
A partir de agora, sua obra deixa de ser apenas memória e se transforma em patrimônio nacional, garantindo que sua contribuição para a música brasileira jamais seja esquecida.
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