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ANTÔNIO SANTOS: DAS SELVAS À ARTE ANÔNIMA

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Domingo à noite. A missa se inicia na icônica igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Planalto. Um prédio com formato triangular, assim como suas portas que possuem o mesmo formato. A singularidade do lugar chama a atenção. Lembra a imagem de Nossa Senhora Aparecida ou Nossa Senhora de Nazaré. Adentrar a igreja é se sentir leve num espaço amplo, que nos dá a sensação de voo e de liberdade, rumo aos abraços do Pai. Mas outra coisa muito importante, mas que talvez chame pouca atenção de grande parte das pessoas, são as três pinturas na parede próximo ao altar da igreja.

Para quem dá mais atenção a essas obras de arte, uma delas, com a presença de Maria e do Anjo Gabriel, representa o episódio da Anunciação, momento em que o referido anjo faz à virgem o anúncio de que ela conceberia uma criança de forma milagrosa. A outra pintura, onde aparece Jesus rodeado de anjos, representa o episódio da Ascensão, quando o filho de Deus, já ressuscitado, sobe aos céus com o seu corpo físico. A terceira pintura, que é a menor e que fica no meio das demais, ilustra o fundo do crucifixo, dando vida ao episódio da crucificação de Cristo, mostrando uma paisagem com os dois ladrões, que também foram crucificados.

As pinturas na igreja são muito mais que simples pinturas. São importantes patrimônios da arte sacra local. Para se ter uma ideia, nenhuma outra igreja católica de Alenquer possui uma pintura do tipo mais antiga em seu interior, nem mesmo a emblemática e histórica Igreja Santo Antônio, do padroeiro da cidade. As três pinturas descritas datam de agosto de 1993, mês da festividade da comunidade, com a assinatura “A Santos”. Na terra de grandes e saudosos pintores, como Guttemberg Senna, Colombiano Marvão e Walniro Sousa, quem seria o dito “A Santos” para assinar as pinturas históricas?

Trata-se de Antônio dos Santos Corrêa, alenquerense nascido em 19 de fevereiro de 1957, na zona urbana alenquerense. Filho de dona Isabel dos Santos e do seu Manoel Magalhães Corrêa, popular Manduquinha, o pequeno Antônio sairia ainda recém-nascido da cidade para viver até os 15 anos de idade na comunidade Igarapezinho. Os primeiros quinze anos de sua vida seriam vividos longe da “civilização”. E, como uma criança curiosa, passaria a rabiscar nos seus cadernos diversos desenhos de casinhas. A partir daí. Desenvolveria muitos outros desenhos. Tornar-se-ia aos poucos um desenhista nato.

Iniciou ainda muito jovem o sonho e desejo de se tornar um quadrinhista. Mas não levou à frente tal desejo. Dedicou-se mais às pinturas domiciliares e pinturas em telas. De volta à cidade, Antônio Santos foi desenvolvendo as suas habilidades artísticas pela cidade. Também trabalhou durante muito tempo como funcionário público do município. Ao longo dos anos, também teve seis mulheres, gerando um total de 22 filhos. Depois que veio do interior, morou na Travessa Tiago Serrão, próximo à Praça São Benedito, na Travessa Santo Antônio e atualmente reside na Rua Raimundo Colares, no bairro Independência.

As três pinturas no interior da igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi um pedido feito pela comunidade. Contratado pela prefeitura, época do terceiro mandato do então prefeito João Ferreira, Antônio Santos criou a sua arte. Conforme disse o artista, ele foi orientado pelos comunitários como queriam as pinturas fossem feitas, explicando as passagens bíblicas e surgindo, assim, as ditas artes, que possivelmente eram atraídas pelos olhares, mas que talvez não levaram as pessoas à curiosidade de sua origem.

Antônio Santos também pintou passagens bíblicas na igreja São Benedito, no bairro Luanda, mas lamentavelmente foram apagadas para dar espaço para outras pinturas mais novas. Nunca teve preocupação em guardar na sua casa qualquer arte de autoria própria, acostumando-se a fazer tudo por encomenda. Sua arte já foi solicitada por pessoas residentes em outros estados brasileiros e em outros países.

Em sua humildade, o grande artista se camufla no bairro distante do centro, numa casa de madeira, entre grandes árvores, no aconchego da família e na tranquilidade do lugar. Sempre que possível, diverte-se jogando futebol num campo particular próximo e rabiscando seus desenhos. Por ter vivido seus primeiros 15 anos de vida isolado da cidade, nas redes sociais adotou o pseudônimo “Antônio das Selvas”. E assim vive o homem simples e autor das mais antigas pinturas de arte sacra no interior de uma igreja católica em Alenquer.

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